ALBERTO JACOB
PERFIL

Alberto Abrahão Jacob é um dos principais nomes do fotojornalismo brasileiro. Teve uma infância muito pobre e sonhava em ser médico. Na adolescência, trabalhava como contínuo de dia e, à noite, estudava. Seu interesse por fotos surgiu por acaso, quando sua irmã ganhou uma máquina fotográfica American Box de herança de um tio. Depois disso, comprou um manual e foi ser agenciador de fotos. Montou um laboratório em casa aos 19 anos e começou a tirar fotografias de crianças.

A oportunidade para trabalhar na imprensa veio quando uma mãe o convidou para fazer a foto da filha que ia entregar uma faixa para a cantora Emilinha Borba. A imagem interessou à Revista do Rádio, principalmente, porque nesse período as fotos eram praticamente todas posadas e a de Albert Jacob já era de ação. A partir desse trabalho, o fotógrafo foi convidado para fazer a divulgação dos programas da Rádio Nacional e o do César de Alencar. Mais tarde, Jacob foi convidado para reforçar a equipe do jornal A Noite. Em seguida, foi coordenador de fotonovela da revista Sétimo Céu.

Ainda na editora Bloch passou para reportagem e foi trabalhar na revista Manchete. Nesse período, viajou o país inteiro e acompanhou grande parte dos acontecimentos que antecederam o Golpe Militar de 1964. Depois, Jacob saiu da Bloch e foi trabalhar como freelance para o Jornal do Brasil. Pelo JB, fez várias imagens que renderam ao jornal furos de reportagem. Como a fotografia de uma mulher com uma criança sob as patas dos cavalos na saída da missa de Edson Luís - estudante morto pela polícia durante a ditadura militar. Nessa ocasião, apanhou, foi colocado todo ferido em um camburão e levado para o Dops. Mais tarde, foi internado em um hospital pelo Jornal do Brasil, quase morto.

O fotógrafo tinha o hábito de sair aos domingos para flagrar temas relacionados ao cotidiano. Foi assim, que conseguiu registrar a história de uma prostituta que se apaixonou, perdeu o seu amor, não conseguia mais clientes e tentava se suicidar, se jogando na frente dos carros. A matéria, publicada no Jornal do Brasil, com fotos e textos de Jacob, recebeu o título “Morte na vida de Severina”.

Em 1971, Jacob ganhou o Prêmio Esso de fotografia com a imagem que mostra uma freira sendo quase atropelada por um ônibus. Ainda na década de 1970, saiu do Jornal do Brasil e foi para O Globo. Para esse jornal, tirou fotos exclusivas de Christina Onassis, em 1977, quando a filha do armador grego veio ao Brasil para tratar de negócios com a Petrobrás. Na época, ninguém conseguia confirmar a presença dela aqui. Jacob encontrou Christina no saguão do Leme Palace Hotel, desconfiado da atitude da mulher fotografou-a e decidiu segui-la no carro de reportagem. Christina era casada com Alexandro Andreadis, mas estava tendo um caso com o soviético Sergei Kauzov, que a acompanhava na viagem. Jacob seguiu os dois que foram para a praia da Barra da Tijuca. Quando percebeu que havia sido seguida, a filha do Onassis parou o carro de reportagem e ofereceu US$ 50 mil pelas fotos, mas o fotógrafo explicou que o material pertencia ao jornal. Christina foi a redação de O Globo, e o jornal se comprometeu a não publicar as fotos. Dois anos depois, ela se casou com Sergei, e O Globo vendeu com exclusividade a história do romance.

Das imagens que produziu saíram muitas manchetes e furos de reportagem. Na sua carreira, o fotógrafo foi, inclusive, o responsável por várias fotos enviadas ao exterior que denunciavam e mostravam as torturas e crimes cometidos durante o governo militar no Brasil. Casado com Neuza Jacob, teve cinco filhos, sendo que dois deles também se tornaram fotojornalistas.

Jacob faleceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de julho de 2017, de falência múltipla dos órgãos, decorrente de um câncer.