EVANDRO TEIXEIRA
PERFIL

Internacionalmente reconhecido, dono de uma vasta obra no fotojornalismo, Evandro Teixeira acumula premiações e experiências que são tema de um site com seu nome (http://www.evandroteixeira.com.br/), bem do documentário Evandro Teixeira: instantâneos da realidade, produzido em 2004.

As imagens da revista O Cruzeiro foram a inspiração que moveu o adolescente Evandro Teixeira, que chegara a sonhar em ser escultor, a se enveredar pelo ofício de fotógrafo. Nascido em 1935, no interior baiano, teve seus primeiros contatos com a fotografia ainda na infância, produzindo jornalzinho escolar, além de, um pouco mais velho, ter colaborado com um tabloide da região de Jequié (BA).

Mas, foi em Salvador (BA), como estagiário do Diário de Notícias, que começou sua carreira de fotojornalista. Em 1958, no Rio de Janeiro, formou-se em Belas Artes, além de ter arrumado emprego no Diário da Noite, do grupo Assis Chateaubriand, para quem inicialmente realizava fotos de casamento. Cinco anos mais tarde, passou a integrar a equipe do Jornal do Brasil, onde permaneceu por quase 50 anos. Deixou o JB em setembro de 2010, data em que esse jornal deixou de circular em papel, permanecendo apenas com sua edição on-line. Mesmo aos 76 anos, não se aposentou: continuou viajando, recolhendo imagens para seus ensaios, dedicando-se a dar palestras e workshops.

Na sua relação duradoura com o JB, Evandro Teixeira teve oportunidades ímpares em sua carreira, a começar com a cobertura do golpe militar, em 1964: ele foi o único fotógrafo a entrar no Forte de Copacabana e retratar a chegada do general Castelo Branco. Também teve exclusividade em registrar o corpo morto do poeta chileno Pablo Neruda, por ser conhecido de Matilde Urrutia, que fora amante e depois, terceira mulher do escritor.

A vida política tanto nacional quanto da América Latina foi acompanhada de perto pelo fotojornalista e algumas de suas imagens se tornaram símbolos dos eventos históricos que marcaram o Brasil, como por exemplo, a fotografia da Passeata dos 100 Mil (Rio de Janeiro, 1968). No Chile, cobriu a queda do governo de Salvador Allende. Cobriu diversos momento da época ditatorial, esteve no funeral de Tancredo Neves, fotografou etapas da redemocratização. Registrou a visita de presidentes estrangeiros e do Papa João Paulo II ao Brasil.

Além dos registros de política, o trabalho jornalístico de Evandro tem destaque no universo esportivo. Ele fotografou Olimpíadas, Copas do Mundo, Jogos Panamericanos e outros. A fotografia A Queda do Juiz foi premiada em 1986 pela Federação Carioca de Futebol.

A carreira de Evandro Teixeira está plena de premiações recebidas por sua obra. Em 1969, foi contemplado no Prêmio da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e no Prêmio Fotóptica, com a fotografia Queda do Motociclista da FAB. No Japão, sua fotografia Manhã de Carnavalfoi premiada no Concurso Internacional da Nikon de 1975 e a foto Buscando na edição de 1981. Em 1993, ganhou o Prêmio Especial Unesco na World Photo Contest.

Além de produzir imagens no jornalismo, o fotógrafo se dedicou a um trabalho mais autoral, tendo feito diversos ensaios, que lhe renderam mais de vinte exposições individuais e coletivas, tanto no Brasil como no exterior. Sua obra também pode ser encontrada nos livros que publicou: Evandro Teixeira – Fotojornalismo (Editora 1B, 1983), Canudos 100 Anos (1997), O livro das águas (2002), Vou viver: tributo ao poeta Pablo Neruda (2005) e 68: Destinos - Passeata dos 100 mil (Editora 7Letras, 2008), A cara do voluntariado (2010).

Em 1984, Evandro Teixeira teve seu currículo incluído na Enciclopédia Suíça de Fotografia, que reúne informações sobre os maiores nomes da fotografia mundial no período de 1839 até os dias atuais, e em 1992, ele foi incluído no acervo da Biblioteca do Centro de Artes Georges Pompidou, Paris, França.