FRITZ UTZERI
PERFIL

O jornalista Fritz Carl Utzeri nasceu na cidade de Timmendorfer Strand, Alemanha, em 1945. Fritz não conheceu o pai, soldado alemão que morreu durante a Segunda Guerra Militar. A mãe, a italiana Elza Utzeri, migrou para o Brasil no ano de 1953 junto com o padrasto. A família morou inicialmente em São Paulo e, depois, no Rio de Janeiro, em 1955.

Fritz cursou o científico (atual 2 grau) no Colégio São Bento e ciências médicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Fritz participou do movimento estudantil e foi diretor de imprensa do diretório dos estudantes de medicina. Por ter feito o boletim estudantil, respondeu junto com outros estudantes Inquérito Policial Militar (IPM). Á época, ele também precisou contratar advogado para ser naturalizado como brasileiro, pois ainda tinha nacionalidade alemã.

Apesar de ser médico, Fritz não exerceu a medicina e resolveu se dedicar ao jornalismo. A primeira experiência profissional foi no Jornal do Brasil. Ele ingressou como estagiário em 1968, após ser selecionado em um curso sob a coordenação de Fernando Gabeira, à época editor de pesquisa do JB. Depois, Fritz trabalhou na editoria de Saúde e Comportamento.

No final na década de 1970, Fritz foi responsável por apurar reportagens que contestavam versões oficiais dos militares sobre fatos ocorridos durante a ditadura militar. Com o repórter Heraldo Dias, ele conquistou o Prêmio Esso de Reportagem pela matéria Quem Matou Rubens Paiva, publicada pelo Jornal do Brasil, em edição especial no dia 22 de outubro de 1978.

Também foi responsável por apurar junto com Heraldo Dias e Samuel Weiner Filho as matérias sobre o caso Riocentro, demonstrando que a versão dos militares que acusavam organizações de esquerda pelo atentado que vitimou sargento do Exército era fatos contraditórios. A reportagem apresentava uma série de fotos feitas por Luiz Carlos David, na qual se mostrava como a lata de óleo na qual teria sido feita a bomba não cabia ao lado do banco do Puma, tal como afirmava a versão oficial do Exército. A reportagem que saiu na edição de 1 e 2 de Julho de 1981 conquistou o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladmir Herzog.

Quinze anos depois, Fritz foi convidado pela Rede Globo para junto com Caco Barcelos reconstituir os acontecimentos envolvendo o Caso Riocentro para ser veiculado na emissora.

Durante sua trajetória profissional, Fritz foi correspondente do Jornal do Brasil em Nova York e em Paris, nos anos de 1980. Ele trabalhou também no Correio da Manhã, com a revista Manchete e com os jornais alternativos como Opinião e Movimento. Trabalhou na TV Globo como editor de Ciência e Tecnologia, levado por Alberico Souza Cruz, diretor geral de telejornalismo da emissora.

Fritz saiu da TV Globo para ocupar o cargo de diretor de relações coorporativas de uma grande multinacional francesa da área de telecomunicações, a Alcatel. Retornou ao jornalismo, trabalhando em O Globo como editor de opinião; e foi diretor de Comunicação, na Fundação Roberto Marinho. Na fase final da edição impressa do Jornal do Brasil, Fritz foi diretor de Redação.

Nos últimos anos, Fritz criou o jornal Panorama em Juiz de Fora, Minas Gerais; e foi editou do blog Montbläat e da Revista Ferroviária. Além de jornalista, ele escreveu os livros Aurora (ficção) e Dancing Brasil (crônicas). Em decorrência de um câncer de linfoma, Fritz Utzeri faleceu em 4 de fevereiro de 2013, no Rio de Janeiro.