MILTON TEMER
PERFIL

Jorge Milton Temer nasceu no Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1938. Filho de Gabriel Temer e Júlia Temer, ingressou na Escola Naval em 1957 e, três anos depois, se tornou segundo-tenente da Marinha Brasileira. Chegou até a patente de primeiro-tenente, quando foi cassado pelo regime militar. Em 1966, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro e se iniciou no jornalismo, com um estágio no Diário Carioca, onde teve contato com nomes como Maneco Muller, Milton Coelho da Graça e Carlos Alberto de Oliveira Caó. Trabalhou na Editora Abril, foi chefe da sucursal do Rio de Janeiro, da revista Quatro Rodas e diretor da Placar, em São Paulo. Passou, em 1971, pelo Jornal do Brasil e pelo Domingo Ilustrado, da Editora Bloch. Após a Editora Bloch, realizou excursão pela América Latina, em viagem que entrevistou diversas personalidades importantes do continente, para órgãos da imprensa brasileira: Salvador Allende, presidente do Chile e Líber Seregni, do Uruguai, para o semanário Politik, editado por Sebastião Nery; e Hector Campora, da Argentina, para o Pasquim. Posteriormente, em 1972, trabalhou em O Globo. Mas, em função da ditadura, deixou o país e foi para Moscou, cursar a Escola de Formação de Quadros do Partido Comunista da União Soviética. Em 1975, se deslocou para Paris para editar o jornal Voz Operária, como porta-voz oficial do Partido Comunista Brasileiro, junto com Armênio Guedes, Carlos Nélson Coutinho, Aluísio Nunes Pereira e Antônio Carlos Peixoto.

O jornalista deixou o PCB em 1978, por divergir dos rumos e da submissão do partido à influência soviética. Ao retornar ao Brasil, em 1979, coordenou a editoria de Política de O Globo, período em que foi cobrir a guerra civil na Nicarágua. No ano seguinte, passou para editoria de esportes e participou da cobertura das Olimpíadas de Moscou. Em 1981, foi ser correspondente internacional do jornal em Londres. Retornou ao Brasil em 1982 e foi para Fortaleza onde elaborou o projeto gráfico do Diário do Nordeste.

Entre as idas e vindas ao jornal O Globo, ainda em 1982, Milton Temer participou da implantação dos jornais de bairro, trabalhando junto de Dênis de Moraes, inicialmente como redator e depois editor, sendo a Fátima Bernardes ainda repórter, naquela época. Tornou-se membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Imprensa e foi anistiado e reintegrado à Marinha como Capitão de Mar e Guerra, em 1985. Nessa época, trabalhou como subchefe de produção de O Globo. O jornal tinha Merval Pereira como subchefe de edição, Henrique Caban como chefe de produção, Luiz Garcia como editor final e Evandro Carlos de Andrade, como diretor geral. Começou a participar do programa de debates de Haroldo de Andrade, na Rádio Globo, ganhou notoriedade pública e foi convidado por Roberto Parreira para dirigir e orientar programas de debates políticos na TV Educativa do Rio de Janeiro, conhecida como TVE. Logo depois, pediu demissão de O Globo, passando a viver com o salário da TVE e a aposentadoria da Marinha.

Teve orientação na carreira política. Se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), foi eleito constituinte na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, assumiu o cargo de deputado estadual (em 1987) e, posteriormente, em 1988, se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT), do qual foi líder na Assembléia Legislativa e integrante dos diretórios regional e nacional, a partir de 1989. Integrou também a Frente Brasil Popular e participou ativamente da campanha de Luís Inácio Lula da Silva à presidência da República. Após a posse de Fernando Collor de Melo na presidência da República, foi afastado de seu cargo de apresentador na TVE. Exerceu funções políticas no PT, sendo vice-relator da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. Disputou a eleição para o Senado, em 1990, perdendo para Darci Ribeiro, eleito senador pelo Partido Democrático Trabalhista, PDT.

Paralelamente, foi fazer o jornal da ONU. Com o impeachment de Fernando Collor de Melo, Milton Temer foi convidado para regressar à emissora TVE. Disputou aseleições para a Câmara, em 1994, eleito deputado federal pelo PT. Porém, a eleição no Rio de Janeiro foi suspensa por suspeita de fraude. Um novo pleito foi realizado no ano seguinte, quando Milton Temer confirmou a eleição. Como parlamentar, trabalhou como membro da Comissão de Comunicação, Ciência e Tecnologia da Câmera Federal, apresentando projetos, para outorgar no Congresso Nacional o poder para cassar concessões de canais de rádio e televisão, feitas pelo executivo.

Milton Temer ganhou destaque na liderança da oposição petista ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Comandou manifestações contrárias à quebra do monopólio dos governos estaduais na distribuição do gás canalizado, a abertura da navegação de cabotagem às empresas estrangeiras, a revisão do conceito de empresa nacional, quebra do monopólio estatal nas telecomunicações e a exploração do petróleo pela Petrobras. Exerceu, ainda, forte oposição à prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal, criado no governo de Itamar Franco, para financiar o plano de estabilização econômica do governo Fernando Henrique, conhecido como Plano Real. Também tentou criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, para denunciar supostas fraudes no Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER).

Durante os oito anos que Fernando Henrique permaneceu na presidência da República, Milton Temer continuou funcionário da TVE, porém sem participar dos programas de debate da emissora. Insatisfeito com os rumos político e econômico tomados pelo governo de Luís Inácio Lula da Silva, se desfiliou do Partido dos Trabalhadores em 2003. A partir daí, passou a trabalhar na construção de outro partido de esquerda e participou intensamente, junto com outros parlamentares egressos do PT, da fundação do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pelo qual disputou as eleições para governador do Estado do Rio de Janeiro em 2006. Foi eleito para a vice-presidência da ABI, em 2003, mas saiu por divergências com o presidente da entidade, Maurício Azedo. Atualmente, Milton Temer é diretor-presidente da Fundação Lauro Campos, do PSOL.