FERNANDO BARBOSA LIMA
PERFIL

Fernando Barbosa Lima nasceu no dia 8 de novembro de 1933 no Leme, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de Maria José Barbosa Lima e do jornalista pernambucano Alexandre José Barbosa de Lima Sobrinho, presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Fernando Barbosa Lima não fez nenhum curso superior. Mas dedicou a sua vida ao jornalismo, foi criador, produtor e diretor de variados programas de televisão. Começou a trabalhar aos 19 anos, logo depois de servir ao Exército, como desenhista no Departamento de Arte e Criação do escritório carioca da Standard Propaganda, uma das maiores agências do Brasil à época. Lá, inicialmente, se dedidou a auxiliar a montagem de layout e a produção de peças publiciáras impressas, sonoras e audiovisuais. Ainda chegou a exercer a função de redator.

De lá, foi para São Paulo, onde trabalhou no jornal O Tempo, dirigido pelos jornalistas Sylvio Pereira e Hermínio Sacchetta. O Tempo (1950-1955) foi um jornal com uma proposta de ser independente e liberal e chegou a competir pelo segundo lugar entre os jornais de São Paulo.

Depois de voltar para o Rio de Janeiro, após o fechamento do jornal, dedicou-se à publicidade. Em 1957, junto com Luiz Carlos de Aguiar e Roberto Barbosa Lima, Fernando Barbosa Lima criou a agência Windsor Propaganda.

Em 1958, de volta ao jornalismo, dirigiu e produziu programas para a antiga TV Rio, que funcionava no Posto 6, em Copacabana. Cruzeiro Musical foi o primeiro. Dirigido em parceria com Carlos Alberto Lofller, o programa contou com o patrocínio da Companhia Aérea Cruzeiro do Sul e consistiu na realização de viagens musicais. A cada exibição do programa, era apresentado o repertório musical característico de cada estado do país.

Também em parceria com Lofller, Barbosa Lima criou e dirigiu para a TV Rio o programa Preto no Branco. Dessa vez, a novidade era fazer um programa de entrevistas em que apenas o entrevistado aparece no vídeo, no meio do cenário (um fundo infinito com nuvens), sozinho respondendo às perguntas feitas por alguém não podia ver. O entrevistador era Oswaldo Sargentelli. Tempos depois, Preto no Branco inspirou A Verdade, programa da TVE do Rio de Janeiro.

Em 1962, passou a dirigir o jornalismo da TV Excelsior e lançou programas como Jornal da Cidade, Primeira Página, Encontro com a Imprensa, Show de Notícias e o Jornal de Vanguarda. Considerado um dos telejornais que mais inovaram em termos de forma e conteúdo, o Jornal de Vanguarda rompeu com a linguagem tradicional, introduzindo vários locutores e comentaristas especializados e acrescentando humor e recursos do cinema de animação em suas aberturas. Ele começou na TV Excelsior, passou pela TV Tupi em 1964 (quando recebeu o nome de Jornal da Vanguarda), pela TV Globo no ano seguinte, TV Continental, e, em seguida, na TV Rio, quando foi extinto por conta do recrudescimento da censura decorrente do Ato Institucional n°. 5, de 1968.

Com a ditadura militar e a censura, Barbosa Lima se retirou do jornalismo e passou a dedicar-se à agência de publicidade Esquire, fundada em 1960, na cidade do Rio de Janeiro. A empresa sucedeu a Windsor Propaganda. A nova agência, em menos de um ano, estava entre as 10 maiores agências do Brasil.

Com a promessa de volta à democracia, Barbosa Lima lançou, em 1979, na TV Tupi, o programa Abertura, tido como um marco do retorno do jornalismo político à televisão, ousando desafiar a ditadura militar ao abordar temas políticos e entrevistas com exilados e opositores ao regime. Para aproveitar esse momento político, foram convocados inúmeros intelectuais, artistas e jornalistas para, com liberdade, tratarem dos mais diversos temas. Antonio Callado, Fernando Sabino, Fausto Wolf, Ziraldo, Sérgio Cabral, Villas-Boas Corrêa, Marisa Raja Gabaglia, Norma Bengell e Glauber Rocha foram alguns deles. Com a extinção da TV Tupi, em 1980, o programa deixou de ser exibido.

Pioneiro na produção independente, em 1982, ele fundou a Intervideo, na qual criou e produziu programas como Os Brasileiros, Conexão Internacional, Persona e Xingu. Este programa foi dirigido pelo jornalista Washington Novaes.

A partir de 1985, com redemocratização do país, Barbosa Lima dirigiu o jornalismo da TVE do Rio de Janeiro. Para a emissora, criou e lançou mais de 40 novos programas. Sem Censura, Grande Tribunal, Um nome na história, Advogado do Diabo, Sport Visão, Rede Brasil e Stadium são alguns deles.

Na TV Bandeirantes, com Roberto D'Ávila, criou o Canal Livre. Como superintendente de jornalismo, criou os programas Cara a Cara (juntamente com Marília Gabriela), Jornal dos Segundos, Investigação Nacional eBandeira 1,ampliando a programação jornalística de 45 minutos para 6 horas diárias.

Nessa ampliação, um retorno foi comemorado. Depois de 20 anos fora do ar, em maio de 1988, o Jornal de Vanguarda foi exibido na TV Bandeirantes. Mantendo a porposta de fazer um telejornal informativo, analítico e informal, Barbosa Lima contou com a participação de prestigiados intelectuais e jornalistas como Augusto Nunes (política nacional), Chico Caruso (na elaboração de charges), Fausto Wolff (nomes internacionais), Fernando Gabeira (quadro de ecologia), Fernando Garcia (defesa do cidadão), Fernando Morais (crítica cultural), Gilberto Gil (quadro A cor da raça), José Augusto Ribeiro (histórias de grandes políticos), Wally Salomão (crítica de arte e literatura) e Washington Novaes (Brasil Central). Em 1989, o programa passou a se chamar apenas Vanguarda e manteve como a apresentadora, Doris Giesse.

Para a TV Manchete, ele criou Programa de Domingo, quando foi diretor de jornalismo da emissora. Em 1999, foi presidente da TVE e criou a Rede Brasil, com a ideia de fazer uma grande rede pública brasileira. Para Fernando Barbosa Lima, a televisão é um dos veículos de comunicação mais importante do país e ela deve educar, informar e divertir.

Ele também assumiu o cargo de diretor de programação da TV Estácio (canal 16 na Net Rio) e criou o projeto “Grandes Brasileiros”, produzindo documentários e distribuindo os DVDs para bibliotecas, universidades, escolas, centros culturais e jornais. A produção foi uma aposta da sua produtora independente FBL Produções.

Em 2004, lançou um DVD e um longa-metragem sobre a história de Barbosa Lima Sobrinho, seu pai. No ano seguinte, o jornalista lançou outro DVD “Tancredo Neves – Mensageiro da Liberdade”, em que conta a história da redemocratização. Além de documentar a vida de Tancredo, o DVD narrou os momentos dramáticos do fim da ditadura militar. Barbosa Lima também se dedicou aos projetos de educação à distância e produziuvídeos com essa finalidade.

Em 2007, Barbosa Lima lançou a sua autobiografia, intitulada “Nossas Câmeras são seus Olhos – as histórias de um homem que foi personagem dos mais importantes momentos de 50 anos da televisão brasileira”.

Fernando Barbosa Lima faleceu em 5 de setembro de 2008.